Resumo em 10 pontos da “Live” com Átila Iamarino e Mônica de Bolle, Doutora em Crise Financeira, realizado sábado 17/04 às 20h, sobre o futuro da quarentena Covid19:

1) Átila analisa que a preocupação deste momento não deveria ser “quando” iremos retornar, mas “como” queremos retornar. Afirma que todos os países que não entraram em colapso do sistema de saúde se fecharam cedo e mantiveram a postura, e com isso conseguirão relaxar a quarentena mais cedo e retornar de forma mais segura. Cita como exemplos: Alemanha, Portugal e Nova Zelândia. Itália e Espanha que sofreram grandes picos terão muito mais dificuldades para recuperação econômica e de abertura para convívio social.  

2) Mônica ressalta que é falso o dilema Economia X Saúde, pois na quarentena você não tem pessoas em circulação, tendo em vista estarem em isolamento, mas se relaxar todas as medidas e deixar as pessoas irem para a rua, elas ficarão doentes e deixarão de circular da mesma forma. Porém, isso ocorrerá pouco mais no futuro e muitas vezes de forma irreversível, especialmente em caso de óbitos. Quem diz que é melhor deixar a quarentena para a “economia girar” está deixando de ver as consequências da sobrecarga no sistema de saúde, do pânico social generalizado, e das muitas repercussões políticas e sociais que irão também afetar de forma profunda a economia.

3) Concordam que não existe mais a realidade que todos vivíamos até janeiro de 2020, e qualquer tentativa de “retornar ao passado” irá fracassar. O mundo globalizado nunca enfrentou um desafio como o Covid19. Será necessária uma mudança de mentalidade muito forte. Um “novo normal” deverá ser “inventado”, pois não há referências ou precedentes para guiar por um “caminho ideal”. Está havendo esforço global para criar possibilidades e metodologias para a nova sociedade que deverá nascer. 

4) Concordam que até 2022 o mundo irá realizar “quarentenas intermitentes”, alternando entre abertura parcial e isolamento. Mônica explica que a retomada econômica será em “zigue-zague, caindo e subindo, muito volátil, não existirá previsibilidade. ”Enquanto não houver imunização natural ou por vacina, todos do planeta podem ser contaminados. Apesar da mortalidade baixa, o vírus é capaz de colapsar sistemas essenciais da sociedade se não houver controle, e este fato logo será reconhecido pelos países. Não há como retomar a economia em colapso de saúde pública.  

5) Estamos em esforço de guerra com foco na saúde. Mônica diz que o Brasil já poderia iniciar conversão de parte da indústria nacional para atender a área de saúde. Diz que EUA já iniciaram esse movimento. As fábricas que produzem aviões, carros, e muitas outras coisas deverão agora produzir equipamentos de proteção, testes, respiradores, e novas tecnologias que possibilitem maior segurança individual e ações à distância/sem toques. Esta é também uma forma de fortalecer a economia, pelo estímulo ao mercado interno e possibilidades de exportação, pois serão itens de necessidade global. Toda produção hoje é “dominada” pela China, Índia e Itália e haverá espaço para novos fornecedores.  

6) Átila afirma que há ao menos 115 estudos de vacinas em andamento, sendo que 5 delas já estão em testes clínicos (aplicando em pessoas). O tempo mínimo para estarem disponíveis é meados de 2021, o que já seria um recorde histórico. A vacina contra o Ebola foi a mais rápida até hoje e demorou 5 anos para estar disponível. Existem 188 testes em andamento para novos tratamentos de Covid e 146 testes recrutando pacientes para novos medicamentos. 

7) As relações de trabalho e sociedade serão transformadas. O acesso à internet e a inclusão digital da população, especialmente idosos, será fundamental, e poderá até salvar vidas. As empresas e governo estarão cada dia mais focadas em ferramentas digitais. O uso crescente de vídeoconferência para trabalho e medicina, maior distanciamento social, e itens de proteção individual pela população serão rotinas.

8) Escolas devem se adaptar para o ensino à distância, e empresários devem se adaptar para “home office”, e atendimentos individualizados por meio do “e-commerce”, “delivery” e estratégias digitais, pois não há perspectiva para retorno rápido à normalidade. 

9) Afirmam que o desemprego irá crescer muito e os projetos de “renda básica” serão essenciais para evitar colapso social.“Muitas pessoas ficarão sem renda e estarão sem perspectivas de emprego por um bom tempo”. Mônica diz que já é recorde o volume de dinheiro repassado à população pelos governos, e que esta iniciativa será fundamental para a movimentação econômica e para promover mínima estabilidade social. 

10) A China também sofrerá muito e não irá “sair melhor” com o Covid19. O PIB dela já caiu 6,8%, mudando drasticamente o crescimento dos anos anteriores. Mônica afirma que “quem está pensando assim não está olhando de fato como se deu a inserção da China no mundo, com ela sendo uma espécie de vértice fundamental nas cadeias de produção global”. Todo crescimento chinês depende do mundo. Muitos países buscarão a independência de suas necessidades de importação de produtos da China.

Sobre a Monica de Bolle: Doutora em Crises FinanceirasProfessora da John Hopkins UniversityPesquisadora-Sênior do Peterson Institute for International Economics

Sobre Átila Iamarino: Biólogo, Doutor em Microbiologia pela USP (Universidade de São Paulo), com Pós-Doutorado pela USP e pela Yale University (EUA).

Resumo por: Fabiano Porto (rede @JornalistasDaNovaEra), dedicando a madrugada para fazer valer a vida e cumprir a missão como jornalista.

 

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