Editorial
Acad. José Galvão-Alves
Membro Titular da Academia Nacional de Medicina 

Há cerca de 4 – 5 décadas aprendíamos a prática médica com a observação atenta aos grandes mestres, seu comportamento elegante, sua atitude humanista e seu saber oriundo do exercício profissional, das leituras e do exemplo dos mais experientes.
A prática da medicina está experimentando numerosas mudanças, as quais devemos nos adaptar, mas devemos também ser críticos e cuidadosos.

A época atual, denominada “era da revolução informática” nos leva a optar pela via da comunicação eletrônica, em detrimento dos livros e revistas escritos. Este é um momento de transição entre gerações, sendo que os idoso tendem à literatura escrita e os mais jovens inteiramente a forma virtual. Seria este um elemento oportuno para investirmos na reaproximação do ensino do graduando.

Os alunos de hoje estão interligados à internet mesmo nas aulas e atividades presenciais. Estaria aqui um desafio aos mestres ao conviverem com este comportamento?

No passado recente a medicina era essencialmente diagnóstica e terapêutica, hoje os aspectos epidemiológicos e preventivos predominam e impõem ao antigo mestre uma necessidade de rever e atualizar-se nas novas plataformas, nem sempre de fácil assimilação.

Cresce inúmeras vertentes no mundo do comportamento ético, envolvendo condutas e decisões como judicialização, geralmente decorrente do alto custo da medicina tecnológica, e que traz para nosso campo de atuação não só o crescimento da bioética, bem como uma interlocução com o poder judiciário.

Teremos que incluir conhecimento jurídico no ensino médico atual ?

Mas se grandes mudanças ainda estão por vir, antigas práticas terão que ser valorizadas e incorporadas.

Contrário a todos estes conceitos, existem princípios eternos na prática médica, que deveriam ser imutáveis ao longo do tempo.
A profissão médica é exercida por homens — seres humanos — dotados de inteligência emocional, tecnicamente idôneos e moralmente corretos.

O homem para o bem do homem.

A ciência existe para basear nossas condutas e o humanismo para conduzi-las com altivez, transmitindo aconchego, solidariedade, generosidade, resiliência . A espiritualidade pode trazer ainda conforto e esperança.

O primeiro contato com nosso paciente é um encontro entre seres humanos, com seus defeitos e virtudes, em que o médico se ocupa em conhecer e ouvir as queixas daquele que está em sofrimento.

Aqui se dá a verdadeira relação médico-paciente! Aqui registra-se o caminho de sucesso que pode ou não seguir-se em meio a tantas variáveis contidas na relação humana. Aqui está o ponto de excelência da prática e do ensino baseados em uma evidência — o humanismo e a empatia.

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