COVID-19 | Cientistas afirmam que é cedo para cogitar imunidade de rebanho

Por Nathan Vieira | 15 de julho de 202

Os pesquisadores ainda estão descobrindo as características do novo coronavírus (SARS-CoV-2), e existem estudos que questionam a “imunidade de rebanho” (porcentagem da população que, uma vez imunizada, impediria o surto de se alastrar). Por outro lado, cientistas estão afirmando que é cedo demais para saber se essa imunidade de rebanho já se encontra em ação.

O que acontece é que, assim que a pandemia começou, a estimativa dos especialistas era que a imunidade de rebanho fosse atingida quando cerca de 60% da população estivesse imune, mas um estudo da Universidade de Estocolmo apontou que uma porcentagem de 43% já seria suficiente.

Com a redução no número de mortes por COVID-19 em locais como Rio de Janeiro e Manaus, começou a se especular a respeito da imunidade de rebanho. Esse estudo considerou que cada pessoa infectada pelo vírus tem o potencial de transmiti-lo em média para outras duas e meia, o que exigiria que 60% de uma população tivesse tido contato com o coronavírus para adquirir proteção, mas apontou que a linha de corte para a imunidade de rebanho diminuiria, uma vez que a primeira onda do vírus já teria infectado a parcela da população que se expõe mais.

“Mostramos que a heterogeneidade da população pode impactar significativamente a imunidade induzida pela doença, pois a proporção de infectados nos grupos com as maiores taxas de contato é maior do que nos grupos com baixas taxas de contato. Nossas estimativas devem ser interpretadas como uma ilustração de como a heterogeneidade da população afeta a imunidade de rebanho, em vez de um valor exato ou mesmo uma melhor estimativa”, consta no estudo.

De acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas feita com testes de anticorpos no Brasil, 3,8% da população foi exposta, parcela ainda longe da imunidade de rebanho. De acordo com César Victora, um dos líderes do projeto, ainda não é possível saber se alcançamos imunidade coletiva em algumas cidades, mas os especialistas estão cada vez mais convictos que ela será alcançada com percentual da população menor dos que os 60%, porque em nenhum lugar do mundo a prevalência de anticorpos passou de 30%, e ainda assim o número de infectados e mortos diminuiu.

Para Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, uma possibilidade é que algumas pessoas imunes não desenvolvam muitos anticorpos ao vírus, mas sejam protegidas por linfócitos (células responsáveis pela resposta imune e pela defesa do corpo). Enquanto isso, Paulo Lotufo, epidemiologista da USP, argumenta que se há cidades onde o vírus encontra menos espaço para se propagar, é porque elas falharam em proteger quem era vulnerável.

Fonte: Agência O Globo, Science

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