Comer à noite piora a qualidade da alimentação e aumenta a quantidade de calorias ingeridas

Becky McCall

NOTIFICAÇÃO 24 de setembro de 2020

Comer muito à noite aumentou a ingestão calórica diária total, e foi associado a uma alimentação de baixa qualidade em um novo estudo que explora o teor de calorias e o valor nutricional dos alimentos em relação à hora do dia em que são consumidos.

O estudo, apresentado durante a edição virtual deste ano do European and International Congress on Obesity (ECOICO 2020), foi liderado por Judith Baird, nutricionista e doutoranda no Nutrition Innovation Centre for Food and Health (NICHE) da Ulster University, na Irlanda do Norte.

“Se você ingerir a maior parte das suas calorias no início do dia, isso pode ajudar a reduzir a ingestão total de calorias diárias”, disse Judith ao Medscape. Nosso trabalho “sugere que pode ser útil considerar a hora do dia ao elaborar intervenções nutricionais para a perda ponderal e para a saúde, porque isso ajuda a diminuir a ingestão total de calorias”.

A Dra. Laura Johnson, Ph.D., é epidemiologista nutricional da University of Bristol no Reino Unido. A especialista recebeu bem essas observações por esclarecerem como o momento de comer pode influenciar a saúde. “Muitos estudos mostraram que tomar o café da manhã costuma estar associado um padrão alimentar mais saudável, e esta pesquisa mostra o outro lado dessa moeda.”

 

“O café da manhã é sabidamente a refeição mais rica em nutrientes da maioria das pessoas, e se você comer um percentual maior de suas calorias diárias depois das 18 horas é muito provável que esteja pulando o café da manhã”, observou a Dra. Laura.

A professora acrescentou que “uma questão importante levantada por este trabalho é se o momento de se alimentar, em si, empobrece a alimentação, ou se trata simplesmente de um reflexo das fortes tradições culturais em torno do tipo de comida que comemos normalmente nos diferentes momentos do dia”.

Para investigar a associação entre comer à noite, a ingestão diária total de calorias e a qualidade da alimentação, Judith e colaboradores usaram dados de 1.177 adultos da UK National Diet and Nutrition Survey, que coleta informações detalhadas sobre o consumo de alimentos, a ingestão de nutrientes e o estado nutricional da população geral no Reino Unido. Os participantes tinham entre 19 e 75 anos de idade.

As categorias foram determinadas de acordo com a proporção da ingestão calórica diária dos participantes após as 18 horas.

Os quatro grupos formaram:

1º quartil, no qual o consumo noturno respondeu por < 31,4% do consumo total de calorias;

2º quartil com > 31,4% a 40,4%;

3º quartil com > 40,4% a 48,6%; e

4º quartil com > 48,6%.

A qualidade da alimentação foi avaliada pela pontuação alimentar diária registrada pelos participantes de acordo com o Nutrient Rich Food Index, que categoriza e classifica os alimentos segundo a proporção dos nutrientes importantes que contêm em relação ao seu teor calórico. Os pesquisadores não controlaram a energia gasta durante a atividade física.

Os resultados mostraram que a proporção média geral de energia consumida à noite foi quase 40% do total de ingestão calórica (39,8% ± 13,6%).

“Como vivemos em uma sociedade ocidental e nossas agendas tornaram-se mais 24 horas, eu esperava que consumíssemos a maior parte de nossas calorias à noite, mas 40% foi bem alto”, observou Judith.

Quem comeu mais à noite teve uma alimentação de pior qualidade

Além disso, aqueles com a menor proporção de ingestão de calorias à noite (1º quartil, aproximadamente 8.437 kJ/dia ou cerca de 2.000 calorias) tiveram uma ingestão total de energia significativamente menor do que o 2º quartil (aproximadamente 9.284 kJ/dia; P < 0,001), o 3º quartil (9.108 kJ/dia; P = 0,002) e o 4º quartil (9.156 kJ/dia; P = 0,001).

Em termos de qualidade da alimentação, as pessoas que comeram mais à noite também consumiram alimentos nutricionalmente mais pobres do que os outros participantes (P = 0,001 para as pessoas no 4º quartil versus 1º quartil). As pessoas no 4º quartil tiveram uma pontuação significativamente menor pelo Nutrient Rich Food Index (438) das aquelas no 1º quartil (459; P = 0,027), 2º quartil (465; P = 0,002) e 3º quartil (463; P = 0,005).

Judith considerou esses achados “interessantes”.

O percentual de ingestão calórica proveniente de carboidratos e açúcares totais após as 18 horas pareceu diminuir proporcionalmente ao aumento da ingestão de energia à noite do 1º até o 4º quartil, enquanto o percentual de ingestão calórica proveniente de gordura e álcool após as 18 horas aumentou.

 

“Em uma próxima etapa, queremos examinar os tipos de alimentos e os contextos da alimentação. Por exemplo, as pessoas comem acompanhadas ou sozinhas na frente da televisão? Pode ser que o ambiente no qual as pessoas se alimentam estimule o consumo de alimentos com alto teor calórico (…) as pessoas costumam ser mais sedentárias à noite, e isso pode influenciar a escolha dos alimentos”, concluiu Judith.

Judith Baird informou não ter conflitos de interesses relevantes. A Dra. Laura Johnson informou receber financiamento institucional da Kellogg Europe e subsídios de pesquisa do National Institutes for Health Research, Medical Research Council e do World Cancer Research Fund.

ECO-ICO 2020. Apresentado de 1º a 4 de setembro de 2020. Abstract 1065, LBA-056.

https://portugues.medscape.com/verartigo/6505389?faf=1&src=soc_fb_201004_mscpmrk_ous_pt_top10_lapsed&fbclid=IwAR0KKEpSHExV-h24El6wsbfnSI3aEH393yrqwqZ2n1jpWwo07J2xQqUtgl0

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