No dia 27/10, durante o webinar do Sirio-Libanes, fizemos um update sobre estratégias farmacológicas para tratamento de COVID.

Abaixo, um resumo da aula:

1. Ivermectina:

Sem evidências de eficácia em estudos clínicos em pacientes. Utilizada com base em estudo in vitro que administrou em vírus encubados em células renais de macacos africanos uma dose muito maior do que a dose utilizada in vivo. Não utilizar.

2. Nitazoxanida:

Eficácia demonstrada apenas in vitro como ivermectina. Estudo brasileiro recente publicado como pre-print não mostrou beneficio na redução dos sintomas 5 dias após tratamento. Mostrou redução da carga viral, mas a correlação de carga viral com beneficio clinico é incerto. Não utilizar.

3. Hidroxicloroquina:

Estudos multicêntricos Coalizão 1 (BR), Solidarity (OMS), Recovery (UK) sem beneficio em pacientes hospitalizados. Possível efeito deletério de aumento de QT, enzimas hepáticas e maior chance de evoluir com desfechos desfavoráveis. Não usar em pacientes hospitalizados. Em pacientes ambulatoriais benefício ainda incerto mas provavelmente não eficaz (Estudos em andamento – incluindo Coalizão 5).

4. Azitromicina:

Sem beneficio em pacientes hospitalizados com COVID leve, moderado e grave. Não usar neste contexto. Estudo Recovery analisando esta droga.

5. Remdesivir:

Estudo ACTT-1 mostrando redução do tempo de sintomas (11 dias vs 15 dias) sem relação com melhora da mortalidade. Estudo Solidarity com casuística 4x maior que ACTT-1 mostrando ausência de beneficio em mortalidade, tempo de internação e evolução para VM. Não disponível no Brasil.

6. Antimicrobianos:

Mais de 70% dos pacientes usam atb na admissão do hospital. Porém, taxa de co-infecção é de 3,5%. Reavaliar a utilização destes antimicrobianos com suspensão apos culturas negativas na admissão ou curso curto de 5 dias, exceto em pacientes críticos. Não utilizar antimicrobianos em pacientes ambulatoriais.

7. Corticoides (dexametasona):

Estudo Recovery (UK) mostrou beneficio em pacientes hospitalizados com uso de O2. Estudo Coalizão 3 (BR) mostrou beneficio em SDRA moderada a grave por COVID. Meta-análise da OMS mostrou beneficio. Usar dexametasona 6 mg por 10 dias em pacientes hospitalizados em uso de oxigênio ou suporte mais invasivo.

Em resumo:

– Pacientes ambulatoriais não se beneficiam de tratamento que não seja sintomático.

– Pacientes hospitalizados podem usar remdesivir e dexametasona se em uso de O2.

A aula está disponível abaixo:

Webtalk realizado em 27 de outubro 2​020, às 20h​

TEMA: Novas evidencias em COVID 19: tratamento medicamentoso e suporte ventilatório.

Moderador:
Dr. André Nathan (Médico Pneumologista do Hospital Sírio-Libanês)

Palestrantes:
• Dr. Luciano Azevedo – Médico Intensivista do Hospital Sírio-Libanês
• Dr. Eduardo Leite – Pesquisador do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa, Pós-Doutorado em Harvard

* Observação importante As opiniões, posicionamentos e conclusões aqui apresentados pelos palestrantes não refletem, de forma alguma, o posicionamento formal da Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês. O conteúdo técnico elaborado e abordado pelos palestrantes durante o webinar é destinado somente a profissionais da área da saúde e capacitados para a aplicabilidade do tema que foi abordado. A reprodução, utilização ou publicação do material aqui apresentado é terminantemente proibida e protegida nos termos da legislação vigente. Caso ocorra a reprodução, utilização ou publicação do material apresentado neste webinar as penalidades previstas em Lei serão aplicadas.

Fonte: Canal do Hospital Sírio-Libanês no YouTube

 

 

 

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