Por que seu cérebro não consegue resistir à “doença de Reese’s”*?

Para quem não conhece, o Reese’s nada mais é do que uma barra de chocolate arredondada recheada com manteiga de amendoim.

Antes do Halloween, {e de todas as festas típicas, regionais e etc (NC) *} estou pensando em autocontrole e barras de chocolate gigantes, que conflito permanente!

Dana G Smith – 27 de outubro ·

Este é um trecho modificado de Inside Your Head, um boletim informativo semanal que explora por que seu cérebro o faz pensar, sentir e agir da maneira que você faz, escrito por mim, redator sênior da Elemental e ex-cientista do cérebro.

Seu cérebro quer doces de Halloween 🍫

Eu, Dana Smith, tenho um gosto muito ligado a doce, tipo, “não posso deixar um litro de sorvete no congelador porque vou terminar” meio que gosto muuuuito de doce. Meu noivo, por outro lado, não se preocupa muito com guloseimas açucaradas. Ele vai dá uma mordida em um Oreo e coloca a outra metade do biscoito de volta na sacola. (ele também pode ser um serial killer para esse movimento, mas isso é outro artigo.)

Nossas estratégias diferentes foram postas à prova na semana passada, quando ele comprou um saco de dois quilos de doces de Halloween para o caso de termos alguma travessura neste sábado, e o saco desapareceu quatro dias depois. O mistério do doce desaparecido permanece sem solução …

Mas isso me fez pensar: por que algumas pessoas têm autocontrole em relação a sobremesas, enquanto outras parecem insaciáveis?

Parte da resposta é genética!

Com base na pesquisa de gêmeos idênticos e fraternos – que compartilham 100% e 50% de seus genes, respectivamente – os cientistas descobriram que os genes respondem por cerca de 30% das reações das pessoas aos sabores doces.

Algumas pessoas têm variações em genes que afetam suas papilas degustativas, tornando o sabor do açúcar mais doce para elas, não é surpresa que essas pessoas também relatem comer alimentos mais açucarados.

Outro estudo descobriu que um gene que controla os níveis de um hormônio produzido pelo fígado, FGF21, influencia a preferência das pessoas por doces.

O fígado libera o hormônio depois que você ingere açúcar ou carboidratos, que são convertidos em glicose no corpo, o hormônio sinaliza ao cérebro que não precisa de mais glicose, fazendo com que você se sinta satisfeito.

Quando ocorre a hipoglicemia o pâncreas produz o glucagon, que age no fígado, estimulando-o a “quebrar” o glicogênio em moléculas de glicose. A glicose é, então enviada para o sangue, normalizando a taxa de açúcar.

No entanto, algumas pessoas têm uma variante genética em que o nível padrão desse hormônio, FGF21, é menor do que o normal, fazendo com que você tenha um desejo constante de biscoitos.

Outra pesquisa descobriu que as pessoas que comem mais doces carregam uma variante do gene que está associada à obesidade, no entanto, esse gene não tem nada a ver com a percepção do paladar; está ligado à impulsividade. Especificamente, pessoas com a variante genética têm menos atividade em uma região do cérebro implicada no autocontrole.

Curiosamente, essa mesma área também foi considerada pouco ativa em pessoas com dependência de drogas.

Nesse sentido, há um argumento de que alimentos gordurosos e açucarados podem ser um tipo de substância viciante porque ativam o mesmo circuito de recompensa no cérebro que as drogas de abuso.

Ambos causam a liberação dos neurotransmissores dopamina e opióides, que, nos círculos de pesquisas sobre vícios, são conhecidos como as substâncias químicas do “desejo” e do “gosto”, respectivamente.

A dopamina provoca sentimentos de antecipação e desejo, enquanto os opióides estão associados a prazer e satisfação bem-aventurados.

Quando você morde uma barra de chocolate ou apenas olha para um pedaço de bolo, o desejo do seu cérebro e os circuitos de recompensa se acendem, assim como um usuário de drogas faz quando vê fotos de sua substância de escolha (brócolis e espinafre não têm os mesmos efeitos no cérebro.), no entanto, é importante observar que essa sobreposição não significa que somos “viciados” em alimentos gordurosos e açucarados.

Em vez disso, as drogas de abuso sequestram o circuito neural acionado por recompensas naturais que são evolutivamente reforçadas, como comida e sexo.

Os humanos desenvolveram essas hiper respostas a alimentos ricos em gordura e açúcar há milênios, quando era mais difícil obter calorias, nossos cérebros e corpos querem o máximo retorno para seus investimentos, então nossos cérebros desejam e priorizam alimentos altamente palatáveis ​​e com alto teor calórico que, se formos repentinamente forçados a uma fome, irão sustentar nossos corpos por mais tempo.

Tente isso para domar seus desejos

Na maioria das vezes, quando ansiamos por algo doce ou salgado, não é movido por um impulso espontâneo dentro de nós, mas por um gatilho de nosso ambiente, como um anúncio de McDonald’s ou um saco de dois quilos de doces no balcão.

Se você está tentando vencer seus desejos, a melhor coisa que você pode fazer é evitar o gatilho – ou seja, não compre (ou deixe seu cônjuge comprar) aquele saco de doces, ou mude seu trajeto para não ultrapassar sua lanchonete favorita todos os dias.

Se isso não for uma opção, Susan Roberts, professora de nutrição e psiquiatria da Tufts University, recomenda dar tapinhas na testa e contar regressivamente a partir de 100 quando o desejo aparecer. Seriamente. “Os desejos tendem a acontecer na memória de curto prazo”, ela explica em um artigo da Elemental sobre a neurociência dos desejos do ano passado. “Você pode empurrá-los se concentrando em uma tarefa. ” 100, 99, 98, 97 …

https://medium.com/@danagsmith/why-your-brain-cant-resist-reese-s-724d89f42969?source=email-6b2c3587a631-1604987118217-digest.reader——1-49——————df912ebf_e6e8_43ce_81ba_f2f9080d5ad8-11—–&sectionName=topic

Nota do curador – Alfredo Martinho

Você já ouviu falar de FGF21?

O FGF 21 é produzido pelo fígado, e depois de muitas décadas de pesquisa, descobriu-se muito sobre seu potencial no tratamento de diabetes, obesidade e aterosclerose.

O assunto é complexo, estudos sugerem que pessoas com grande preferência por doces tem níveis baixos de FGF21, e que os níveis aumentam bastante após um excesso de doces.

O que isso significa?

A “fissura” por doces não é um processo psicológico puramente, mas altamente biológico, as pessoas que não gostam ou não comem muito doces em geral tem níveis mais altos de FGF21

Há outros fatores que influenciam, e o FGF21 tem outras funções que ajudam no controle do diabetes e da aterosclerose, a regulação do apetite é muito mais complexa do que “coma menos e emagreça” e que pessoas com mais peso não tem “menos força de vontade” – a biologia faz de tudo para evitar perdas de peso e é altamente responsável, mais do que nossa consciência, na diferença entre gostos, preferências e impulsos alimentares.

Análogos ao FGF21 vem sendo estudados no tratamento do diabetes, obesidade e doenças associadas e, futuramente novas drogas deverão ser desenvolvidas.

A INLAGS ACADEMY ESTÁ COM INÚMEROS CURSOS EM NUTRIÇÃO E CULINÁRIA, CONFIRA:

https://inlagsacademy.com.br/produto/gastronomia-brasileira/

https://inlagsacademy.com.br/produto/ciencia-na-gastronomia/

https://inlagsacademy.com.br/produto/habilidades-basicas-em-cozinha/

https://inlagsacademy.com.br/produto/hotelaria-hospitalidade-e-humanizacao/

https://inlagsacademy.com.br/produto/nutricao-diretrizes-e-responsabilidades/

https://inlagsacademy.com.br/produto/introducao-a-nutricao-i/

https://inlagsacademy.com.br/produto/responsabilidades-do-administrador-hospitalar-copia/

Conheça os Cursos da Inlags Academy

Compartilhe em suas Redes Sociais