Orientações do Presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia: Dr. Clóvis Arns da Cunha

Prezados Pacientes!

Seguem informações sobre a covid:

1) SOBRE O TRATAMENTO PRECOCE NOS PRIMEIROS DIAS E SINTOMAS.

A SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) não indica tratamento farmacológico precoce para covid (nem com cloroquina, nem hidroxicloroquina, nem ivermectina, nem azitromicina, nem nitazoxanida, nem corticoide, nem zinco, nem vitaminas, nem anticoagulante, nem ozônio por via retal, nem dióxido de cloro) porque infelizmente os estudos clínicos randomizados com grupo controle existentes até o momento não mostraram benefício e alguns destes medicamentos podem causar efeitos colaterais.

Essa orientação da SBI está alinhada, entre outras, com as seguintes recomendações das:

  1. a) sociedades médicas de vários países, incluindo as de Infectologia dos EUA (IDSA), das sociedades médicas europeias,
  2. b) NIH (National Institute of Health) do Ministério da Saúde dos EUA;
  3. c) OMS (Organização Mundial da Saúde);
  4. d) Anvisa (Agência Nacional de Vigilância do Ministério da Saúde do Brasil).

Os médicos e pacientes que queiram fazer uso, fica a critério dos mesmos.

Na fase inicial, medicamentos sintomáticos, como analgésicos e antitérmicos, como paracetamol e/ou dipirona, podem ser usados para pacientes que apresentam dor e/ou febre.

Os sintomas mais frequentes são febre, tosse, dor de garganta, dor “tipo sinusite”, náuseas, perda de apetite, perda de olfato e/ou paladar, cansaço, dores musculares, dor torácica, dor nas costas e falta de ar.

Alguns pacientes apresentam sintomas gastrointestinais como náuseas, “dor de estômago”, diarreia e falta de apetite.

2) SOBRE O DIAGNÓSTICO E A EVOLUÇÃO DOS PACIENTES.

Todo paciente com sintomas de “resfriado ou gripe” pode ter covid e deve ser submetido ao exame de PCR nasal para covid na 1a semana de sintomas.

Esse exame tem 80% de sensibilidade, ou seja, 20% de falso-negativo.

Se o resultado der covid, confirma o diagnóstico, já que resultados falso-positivos são raros. Ou seja, a especificidade do PCR nasal é de aproximadamente 100%.

A maioria dos pacientes com covid evoluem sem complicações e curam.

98 a 99% dos pacientes com menos de 50 anos e que não têm doença crônica evoluem bem.

Os principais fatores de risco para evoluir para covid grave são: idosos, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença cardiovascular (insuficiência cardíaca, insuficiência coronariana, cardomiopatia), diabetes tipo 2, obesidade (IMC de 30 ou mais), doença renal crônica, imunossuprimidos receptores de transplante de órgãos, câncer.

Estes pacientes devem ser acompanhados diariamente com acompanhamento de sintomas, temperatura para detectar febre e oximetria digital para detectar hipóxia (falta de oxigênio no sangue e nos tecidos/órgãos).

Para outras doenças crônicas, como asma moderada e severa, doenças cerebrovasculares, fibrose cística, hipertensão arterial, gestação, tabagismo, diabetes tipo 1, demência, doenças hepáticas e outros estados de imunossupressão, os dados científicos atuais ainda não são suficientes para inclui-los nos “grupos de risco para covid grave”.

3) A ENORME IMPORTÂNCIA DE DETECTAR HIPÓXIA SILENCIOSA.

Os pacientes que evoluem com pneumonia grave (que é quando a pneumonia causa hipóxia) necessitam internamento hospitalar. A maioria desses pacientes são os que têm mais de 60 anos e que têm doenças crônicas como diabetes, insuficiência cardíaca, enfisema pulmonar, imunodeprimidos, insuficiência renal crônica.

Fundamental detectar o 1° sinal de hipóxia (falta de oxigênio) através da oximetria digital, pois muitos pacientes têm hipóxia sem se queixarem de falta de ar, que é a HIPÓXIA SILENCIOSA.

Os pacientes com covid devem medir a oximetria digital diariamente principalmente os pacientes com mais de 60 anos e todos os que tem doenças crônicas que os colocam no “grupo de risco para covid grave”.

A pneumonia com hipóxia (oximetria digital com saturação de oxigênio menor que 95%) geralmente ocorre ao redor do 7° dia de sintomas (entre o 5° e o 9° dia na maioria dos pacientes).

Ao se detectar esta pneumonia com hipóxia (geralmente com 50% ou mais de comprometimento pulmonar), o tratamento hospitalar com oxigenioterapia, dexametasona (corticoide) e heparina (anticoagulante) profilático fará com que a maioria dos pacientes evoluam bem e sem necessidade de ventilação mecânica (respirador) na UTI.

4) SOBRE O ISOLAMENTO RESPIRATÓRIO.

Todos pacientes com suspeita de covid e os com covid confirmado (exame de PCR nasal positivo para covid) devem ficar 10 dias em isolamento respiratório domiciliar, isto é, devem ficar preferencialmente sozinhos no quarto, afastados de seus familiares e amigos. Pacientes com covid grave ou crítica, que são os que internam no hospital e os imunodeprimidos devem ficar 20 dias em isolamento respiratório.

Não há indicação de fazer NENHUM EXAME para alta do isolamento ou volta ao trabalho.

Nem exame de PCR nasal e nem sorologia (exame de sangue) deve ser realizado e sim contar 10 dias nos pacientes que não internam e 20 dias nos que internam para receber alta do isolamento respiratório.

5) CONTACTANTES PRÓXIMOS

As pessoas que tiveram contato de alto risco com paciente com covid, também chamados de contactantes próximos, que são as pessoas que tiveram contacto com pacientes com covid sem máscaras, por 15 minutos ou mais e a uma distância menor de 1,8m (CDC) também devem ficar em isolamento respiratório, a princípio por 14 dias. O médico deve avaliar o tipo de contato para avaliar a necessidade de testes diagnósticos e acompanhamento. Contactantes com PCR nasal colhido entre 5 e 7 dias depois do contato, em indivíduos que permanecem assintomáticos depois do contato, tornam-os com risco mínimo de terem infecção ou de infectarem outras pessoas e poderão ser liberados antes dos 14 dias, de acordo com avaliação médica individual.

6) PODE OCORRER REINFECÇÃO?

A reinfecção ou 2a infecção é rara.

A grande maioria das pessoas que tiveram infecção assintomática ou a doença COVID provavelmente estarão imunes por, pelo menos, 10 meses, duração da pandemia até aqui. Estudos em andamento e estudos futuros responderão por quanto tempo o paciente ficará imune com mais precisão.

7) MEDIDAS DE PREVENÇÃO

As 6 “regras de ouro” da prevenção da covid devem ser praticadas todo dia, o dia todo, e diminuem MUITO o risco de alguém ser infectado pela covid.

São elas:

  1. a) uso de máscara;
  2. b) distanciamento físico de 1,5m ou 1,8m;
  3. c) higienização das mãos;
  4. d) não participar de aglomeração humana;
  5. e) manter ambientes ventilados / arejados;
  6. f) paciente com sintomas de “resfriado” ou “gripe” pode ser Covid. Deve ficar imediatamente em isolamento respiratório, fazer teleconsulta e colher PCR nasal para o novo coronavírus (SARS-CoV-2). O risco de infecção já ocorre na fase pré-sintomática (nos 2 dias antes de apresentar sintomas), mas principalmente ocorre nos primeiros 7 dias de sintomas.

Cada um fazendo sua parte, venceremos a covid.

Fiquem bem!

Dr. Clóvis Arns da Cunha

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