Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) investigam o uso do zebrafish para testar segurança de vacinas contra a Covid-19, a partir de análises do sistema imunológico do peixe. Parceria com o Instituto Nacional de Controlde de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) viabilizará testes com a vacina de Oxford, da Astrazeneca.

Segundo o preprint (estudo ainda não revisado) publicado na plataforma BioRxiv, a alternativa é viável, já que o zebrafish pode produzir anticorpos após receber a dose de uma vacina. Para comprovar a suspeita, os pesquisadores desenvolveram um imunizante específico para a testagem, que contém a proteína spike, presente na superfície do coronavírus. Quando se avaliou a resposta imune contra o vírus, além da produção de anticorpos específicos contra a proteína spike, alguns peixes apresentaram reações semelhantes aos casos graves da doença em humanos.

“A iniciativa busca melhorar o desenvolvimento de vacinas para que cheguem, em um estágio mais seguro até o ser humano. Os testes pré-clínicos costumam ser feitos em animais, mas geralmente são em camundongos e primatas. Com o zebrafish os custos são menores, e além disso, eles têm apresentado respostas mais rápidas e mais próximas ao ser humano”, explica Renata Jurema Medeiros, do Laboratório de Fisiologia do Departamento de Farmacologia e Toxicologia do INCQS, que colabora com o estudo ao lado de Fausto Klabund Ferraris, do Laboratório de Farmacologia, também do DFT do INCQS.

Foto 1 (à esquerda): Embrião de peixe-zebra (Imagem: Leica Microsystems) 
Foto 2 (à direita): Desenvolvimento embrionário de um zebrafish (Imagem: Bioimages GitHub repository)

De acordo com Fausto Klabund Ferraris, os resultados presentes nesse trabalho reforçam a importância do uso do zebrafish na geração de conhecimento para o enfrentamento do SARS-CoV-2. Um ponto muito favorável que ele ressalta é o fato dessa espécie possuir a expressão da proteína ACE2 (angiotensin-converting enzyme 2), o receptor presente nas células que o SARS-CoV-2 utiliza, através da proteína spike, para invadir.

 

“Ocorre que este receptor não está presente em linhagens de camundongos convencionais, por esse motivo estudos sobre a Covid-19 tem utilizado camundongos manipulados geneticamente para expressarem a ACE2. Essa característica do zebrafish permitiu a observação de alguns fenômenos imunológicos que não tinham sido relatados em estudos com camundongos. O trabalho mostrou alguns efeitos danosos provocados pela proteína spike no zebrafish que são muitos semelhantes a quadros clínicos descritos nos pacientes em graus moderado e severo da Covid-19”, afirma.

 

Liderada pelo pesquisador Ives Charlie Silva, do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, a pesquisa conta além da participação do INCQS/Fiocruz, com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Faculdade de Medicina (FM) da USP, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Instituto Federal Goiano, Instituto Butantan. Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG), Universidade Federal de Santa Maria e Universidade de Passo Fundo (UFP).

 

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