E se você fosse gestor de uma empresa provedora de saúde, apostaria na inovação aplicada à saúde?

Autora: Viviane Lourenço

Trataremos de alguns dados interessantes sobre a utilização da inovação, em especial acerca da saúde digital, como estratégia para a sustentabilidade do setor saúde.

Ao mesmo tempo em que há barreiras em função do financiamento em saúde e falta de recursos, ocorre problemática dos desperdícios na área, sobretudo em relação à saúde suplementar, onde os planos de saúde coletivos empresariais representam 80% da cobertura da saúde suplementar dos planos coletivos. A indústria brasileira, responsável por uma em cada três pessoas cobertas pelos planos de saúde empresariais, investe em saúde privada com a expectativa de que trabalhadores e dependentes tenham acesso a um sistema de saúde capaz de responder pela promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde (BRASIL, 2017).

De acordo com a obra “Repensando a Saúde, estratégias para melhorar a qualidade e reduzir custos”, Porter e Teisberg (2008), já sinalizavam que não seria mais possível os empregadores norte-americanos absorverem os custos integrais relativos à assistência à saúde, o que levou à transferência de tais custos, com o por exemplo o co-pagamento e franquias mais elevadas nos planos de saúde. Para os autores, essas são medidas temporárias e não resolutivas em longo prazo.

O relatório da Deloitte (2018) trata das perspectivas globais de saúde, destacando que uma das soluções frente ao cenário de crise na saúde seria a inovação tecnológica, enquanto estratégia para o aumento do acesso à saúde, melhoria da qualidade e redução de custos, com foco em gestão de saúde.

Mercer, Marsh e Benefits (2018), uma das maiores consultorias mundiais em saúde corporativa, apresentam as tendências médicas em 2018, chamando a atenção para a inovação como uma das principais estratégias levantadas pelas seguradoras de saúde e pelas ações praticadas pelas empresas, as quais visam a criação de soluções inovadoras voltadas para a saúde e bem-estar dos colaboradores.

As inovações para geração de soluções provenientes do sistema produtivo da saúde são intensas, abrangendo alta complexidade, como a genética e terapia celular, a nanotecnologia, dentre outros avanços como a saúde digital, que tem impactado significativamente a dinâmica do desenvolvimento da saúde (GADELHA; BRAGA, 2016).

A inovação aplicada à saúde, promovendo serviços de alto desempenho e com custos competitivos para a customização de aplicações é uma realidade, despontando como forte tendência nos curto e médio prazos (BUSINESS INSIDER, 2017).

Segundo relatório da McKinsey Global Institute, que chama atenção para a fronteira da inteligência artificial, indica que tecnologias inovadoras começarão a ser aplicadas para predição de comportamento para cálculo de probabilidade de doenças, fornecendo dados para planos de saúde melhorarem sua gestão. Nesse mesmo estudo, novos modelos de negócio combinam a inovação relativa à saúde digital com intervenções comportamentais focadas em prevenção, gestão de doenças e bem-estar (MCKINSEY, 2017).

A Revista Médica, The Lancet, em recente artigo “Big data and health” apresenta diversos itens que chamam atenção para a era da revolução na saúde digital, a exemplo de predição do sequenciamento do genoma, visando detecção precoce da doença antes mesmo do início dos sintomas, demonstrado pela figura abaixo. Além disso, as inovações tecnológicas permitem um foco para fins de preservação da saúde, sobretudo para as estratégias relacionadas à personalização das informações de saúde dos indivíduos, o que podem auxiliar na adequada tomada de decisões e conscientizações quanto às medidas necessárias para ajudar a preservar sua própria saúde, em contrapartida do atual modelo de saúde, ainda voltado para a doença, monitoramento e tratamento (THE LANCET, 2019).

De acordo com a Estratégia Global de Saúde Digital da OMS destaca que este tema é entendido como o campo do conhecimento e prática associada a qualquer aspecto da adoção de tecnologias digitais para melhorar a saúde”.

Na prática, a inovação aplicada em mercados de saúde pode ser estratégica e responder ao contexto de crise, principalmente quando verificamos que a inovação tecnológica pode alcançar pessoas até então não atendidas, por meio do mecanismo de facilitação do acesso e ampliação de escalabilidade, abrangendo e facilitando a oferta de serviços de saúde.

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Referências:

BRASIL. Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Mapa Assistencial da Saúde Suplementar. Rio de Janeiro. 2017.

PORTER, M.E.; TEISBERG, E.O. Repensando a saúde. Estratégias para melhorar a qualidade e reduzir custos. Ed. Bookman. 2008.

DELOITTE. Global health care outlook. Shaping the future. 2018. Disponível em: https://www2.deloitte.com/global/en/pages/life-sciences-and-healthcare/articles/global-health-care-sector-outlook.html .

MERCER MARSH BENEFITS. Tendências médicas em 2018 pelo mundo. EUA; MERCER MARSH BENEFITS, 2018.

GADELHA, C.A.G.; BRAGA, P. S. C. Saúde e inovação: dinâmica econômica e Estado de Bem-Estar Social no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 2016.

BUSINESS INSIDER. The latest market research, trends & landscape in the growing AI chatbot industry, 2017. Disponível em: https://www.businessinsider.com/chatbot-market-stats-trends-size-ecosystem-research-2017-10.

Mckinsey Global Institute. Artificial Intelligence.The next digital frontier?2017. https://www.mckinsey.com/~/media/McKinsey/Industries/Advanced%20Electronics/Our%20Insights/How%20artificial%20intelligence%20can%20deliver%20real%20value%20to%20companies/MGI-Artificial-Intelligence-Discussion-paper.ashx .

THE LANCET. Big data and health. The Lancet Digital Health, august, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/S2589-7500(19)30109-8 .

 

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