Finalmente foi expressa a vontade de testar a infantaria – Alfredo Martinho.

A Infantaria é considerada uma das armas básicas no sistema operacional das manobras de guerra, utilizada sempre na frente do combate.

Seria interessante entender porque da denominação, tendo infante como núcleo da palavra. Penso que para esse entendimento, teríamos que nos socorrer dos estudos da psique humana, já que a identidade individual passa, necessariamente, por uma dinâmica pais e filhos, sujeita a forças inconscientes.

Sugiro a leitura complementar de: “Poder parental e filicídio”: um estudo interdisciplinar publicado na Revista Brasileira de Psicanálise v.42 n.3 São Paulo set. 2008.

Para Foucault, esse fenômeno tão enigmático, ao mesmo tempo visível e invisível investido em toda parte que se chama PODER e que é exercido onde se houver, também está presente na relação parental.

Muitas vezes, essa relação se expressa pela violência e/ou abandono observado na sociedade contemporânea, mas cuja manifestação é parte da história de todas as épocas, desde a mais remota Antiguidade. Esses fenômenos expressam-se sob a forma de infanticídio e filicídio, num gradiente que vai desde as mais formas sutis até as mais extremas, como assassinato concretamente.

Na leitura desse trabalho podemos observar um enfoque histórico centrado na cultura ocidental, especialmente a francesa, pautada historicamente por uma dificultosa relação dos adultos com as crianças, com períodos de intensificação de práticas filicidas abertas ou encobertas de violência contra as crianças.

Nesse contexto, após verificarmos de forma bastante minuciosa na CPI da Covid, as práticas delituosas que sempre soubemos existirem nos escaninhos da burocracia do Ministério da Saúde, mas nunca tínhamos visto com todas as cores e personagens que ficaram expostos à luz das transmissões de televisão. Violência e crimes foram demonstrados com inúmeras provas evidenciadas a quem se dispôs acompanhar.

Em nossa tragédia da atualidade, estava faltando a “cereja do bolo” e essa se mostrou na última quinta feira quando o atual responsável pela saúde declarou em suas redes sociais que partiu de Bolsonaro a orientação para rever a vacinação de adolescentes, à revelia das autoridades médicas e instituições que já haviam validado o uso da vacinação nessa faixa etária.

Ciclo perverso fechado com o poder exercendo sua forma mais abjeta de autoridade expondo uma parcela significativa de pessoas em atos francamente infanticidas.

No nosso caso, Brasil, até a Infantaria é distópica e veio atrasada ao combate, mas, não foi esquecida.

Infanticídio?

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